quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Chá de sumiço!


Às vezes dar uma fugidinha do mundo e se recolher em sua própria cabeça é extremamente necessário. Costumamos esquecer de olhar um pouco para dentro, de notar que ocupamos nossa mente com assuntos nem tão importantes assim e deixamos de lado a figura mais importante da história.


Temos a resolução certa para os problemas dos outros, enquanto cresce a enxurrada de problemas que temos. Fácil notar como os outros se desesperam com coisas tão fáceis de resolver,  não é mesmo?! Como é simples resolver todos os problemas da noite para o dia... Escolher entre um ou outro; mamão com açúcar esquecer aquela pessoa que você tanto se apegou;  melzinho na chupeta falar na cara todas as mentiras ditas por pessoas que achava que eram de confiança; se afastar com o pé amarrado nas costas de lugares e pessoas... Muito fácil resolver algo que não acontece com a gente, muito cômodo julgar a vida dos outros. Quantas receitas já não escutei de como fazer, de como é simples e que é só querer?!


Quando resolvi me recolher, fiz porque assim me foi pedido. E quem pediu? Eu pedi! Eu mesma implorei para não fazer a vontade dos outros e me escutar um pouquinho. Deixar de lado os julgamentos, os olhares fuziladores e a fama que receberia, para olhar para mim, para fazer mais por mim! Quem pode cuidar de mim? Quem sabe o que eu quero? Quem está do meu lado quando a cabeça quer uma coisa e o coração clama por outra? Eu! Eu sei onde o calo aperta, eu sei o que machuca, eu sei o que se passa na minha vida, só eu sei, eu e mais ninguém. 

Já escutei demais, já liguei muito para o que acharam ou deixaram de achar, já olhei demais para os outros.  Agora eu quero me escutar, quero entender o que se passa comigo! Também já deixei claro algo que nem precisava dar satisfação alguma... Quem realmente conhece, gosta e quer nosso bem, não precisa de explicações, apenas apóia e nos acolhe de braços abertos. Nesse exato momento estou olhando para quem não olhei por muito tempo, quem ficou esquecida no cantinho, quem esperou anos e anos para ser notada.  Estou me embebedando de chá de sumiço... Estou cuidando de mim!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Para Gabi... Bibi... Binha... Biroba...


Um dia, uma pobre alma me chacoteou pelo fato de ser tão apegada a minha irmã, tão preocupada, tão unida... Cheguei a cogitar a possibilidade de pensar que essa alma estava certa. Será que era exagero? será que realmente era muito grude? será que tínhamos que mudar?

Durante vários anos de minha vida, quando as mudanças eram uma constante obrigação e que me sentia perdida nas novas cidades que ia morar, era ela que estava do meu lado, com a mesma cara assustada que eu, mas me apoiando. Era ela que chorava com a dor da despedida junto comigo, era ela que me ajudava quando ainda estávamos nos adaptando aos lugares.

Brigas?! Existiram muitas. Desentendimentos?! Até hoje acontecem. Vontade de esganar?! Quase sempre! Mas o amor é muito maior que isso e, mesmo que a vontade seja de dar uns tabefes, sabemos que a vontade de cuidar e ter por perto é incomensuravelmente maior!  O tempo pode até nos separar, mas enquanto isso não acontece, quero aproveitar cada instante.

Muitos costumam julgar e desdenhar pelo simples fato de não terem vivenciado essa maravilhosa experiência e falam sem conhecimento de causa. Só posso desejar que em uma próxima vida tenham essa sorte que tive de ter uma irmã para contar! Triste dessa alma que não sabe o que é ter uma irmã e poder ter esse exagero de grude até quando puder!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Grito Interno



É tentando entender que mais me perco, é tentando consertar que mais erro, é tentando me sentir bem que mais choro. Não existe explicação, apenas um fato imutável e eu me rasgando tentando entender o impossível. Gritando para mim o que eu queria expulsar, o que pesa, o que fere. Queria que o mundo escutasse,  só para colocar para fora e me sentir um pouco mais leve. Mas do que adiantaria? Ninguém entende, ninguém sabe, ninguém passa, só eu passo, só eu sei o que é e eu mesma não compreendo.


O corpo dói e a cabeça clama por uma quietude que não há.  Uma quietude que só existe nos meus sonhos não realizados de que um dia minha cabeça esvaziará, meu coração se aquietará e eu entenderei pelo menos o que posso fazer para não me importar, para não saber, para não querer mais me preocupar, apenas viver sem ligar para os erros, ou para os acertos. Não deixar os dias passarem procurando uma resposta que sei que não cabe. Apenas viver sem esse peso, sem esse aperto, sem essa dor... Viver sem sentir...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Fechando a Janela (ou Finalizando o Texto A Janela)



O sol não está mais lá, na verdade acho que nunca esteve. Meus olhos queriam enxergar o que nunca vi naquela janela. Por vários momentos quis acreditar que poderia ver tudo ao olhar para lá, tanto que passei muito tempo esperando um sol que nunca veio. Durante todo esse tempo que passei naquela janela, apenas colecionei pregos, muitos pregos e hoje, com eles em minhas mãos, me pergunto o que fazer com tantas pontas afiadas, que por tanto tempo me feriram.
Lembrei de outras janelas que fui recebida com alegria e colecionei sorrisos, risadas, acenos, canções, declarações, piadas, carinhos ou simplesmente conversas sobre qualquer coisa, mas que me agradam muito e me enchem de luz. Então, finalmente percebi o porquê de ter recebido tantos pregos daquela janela, que por muito tempo aguardei, conversei e me machuquei... Eles servem para fechar a janela!

Adeus! Que Deus lhe guarde e ensine a abrir outras janelas!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Oceano Índico fica aonde mesmo?!!!

É uma pergunta retórica, mas não foi hoje na entrevista de emprego. Adoro ler, escrever, formei em Turismo, adoro Geografia, furo o mapa mundi com tachinhas por distração, mas tenho uma séria dificuldade de passar por sabatinas. Só de saber que posso fazer papel de anta para uma pessoa que nunca me viu na vida, já me causa um pânico absurdo! Só aplicar uma pressãozinha qualquer, que esqueço das aulas do primário e me calo quando perguntam quanto é dois mais dois.


Hoje, ao sentar em frente à entrevistadora, me senti um pouco desconfortável, mas encarei. “Não sou burra! Não sou burra! Eu vou conseguir!” Pensei positivo e tentei parecer o mais tranqüila possível. Tivemos uma conversa agradável, falei sobre outras experiências, mesmo com a voz já um pouco trêmula, mas nada comparado ao que ia acontecer depois. Ela pediu para eu desenhar os continentes. Ótimo, está ai uma coisa que uma Turismóloga como eu sabe desenhar até de olhos fechados... Ou pelo menos deveria saber. Segurei no lápis e fui na confiança! No primeiro traço tive a sensação que estava segurando a minha escova de dente elétrica. Não conseguia segurar o lápis, ele simplesmente não parava na minha mão! Tremia tanto que a entrevistadora tentou me acalmar, sem sucesso, mas terminei o desenho mesmo assim. Coloquei os nomezinhos, mas com a sensação de que a qualquer momento poderia colocar a África na Oceania, América do Sul na Europa e encontrar Atlântida, o continente perdido... A mão estava tão gelada, que cheguei a olhar para as pontas dos dedos para ter certeza de que não iam gangrenar. Começaram as perguntas e a minha cabeça começou a girar. Tentava prestar atenção e pensar em tudo que ela falava, mas só conseguia escutar a voz dos adultos no desenho do Charlie Brown. Eu simplesmente não entendia absolutamente nada, parecia grego para mim. Quando fui me concentrando e as palavras começaram a fazer sentido, o desespero tomou conta: Agora eu entendo tudo, mas não lembro nada! As horas e mais horas que passei relendo assuntos na noite anterior e o dia inteiro antes da entrevista papirando o que tinha certeza que seria perguntado, desceram pelo ralo!


Ela fazia as perguntas, eu respondia e então ela perguntava “Você tem certeza disso?”. Pronto, o necessário para deixar a pessoa mais insegura do mundo dentro de seu pior pesadelo! “Eu não tenho certeza de nada na vida, minha filha! Não tenho nem certeza se quero continuar aqui sentada” pensei enquanto respirava fundo. Queria correr de lá. A cada pergunta besta que ela fazia e eu arregalava meus olhos mostrando meu total desespero, tentando encontrar a resposta na minha cabeça vazia, me sentia como uma criança de 4 anos que está começando a descobrir o que é mundo.


  • “Amsterdã fica aonde?!” - A música “Mr. Jones” vinha na minha cabeça, lembrava da vontade que tinha de conhecer a Holanda (apesar de na música cantarem New Amsterdam , minha mente me remete a Amsterdã) só por causa dessa música, mas não saia uma palavra da minha boca. Só conseguia sussurrar bem baixinho, com medo de falar merda... Holanda???
  • “Aponta Bali ai no seu mapa” - Porra!!! Meu sonho é conhecer Bali, mas esqueci da existência dessa ilha assim que ela pronunciou seu nome!
  • “Oceano Indico fica aonde mesmo?!”- Nessa hora eu senti raiva, porque eu só fazia olhar para o papel e lembrava como não queria parecer uma anta e como já estava parecendo. Simplesmente não consegui nem escrever no papel nem falar que ficava no único local que não tinha nada escrito. Quase desisti da minha vida ali na frente dela.


“Burra! Burra! Burra!” Nem eu mesma me contrataria! Não conseguia mais formar uma frase na cabeça, esqueci os vários roteiros que montei quando sonhava em correr pelo mundo e vi aquela chance indo embora juntamente com a minha moral. “Nunca mais consigo um emprego nessa cidade”. Não queria mais olhar para a cara da entrevistadora, não queria mais estar sentada ali. As várias perguntas que respondi corretamente perderam o valor quando não consegui responder onde ficava a porra do Oceano Índico.. Oceano Índico, te odeio!


Quando achei que nada mais poderia piorar aquela situação e que não entraria naquela empresa nem para limpar o chão, consegui fechar com chave de ouro a minha entrevista: esqueci o número do meu RG... Nessa hora eu mesma teria me dispensado, na verdade teria me contratado, só para ter o prazer de me demitir.

domingo, 2 de maio de 2010

Não, não sou eu...


Vira e mexe, olho aquelas fotos e elas me mostram quem não sou. Como pode meu corpo não ser meu? Aceito pelos outros e não aceito por mim. Ainda olho aquelas fotos e digo: Não sou eu, mas bem que poderia ser.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Escolhas...

- Por que dói tanto?


- Você enxerga o que lhe convém, você se importa porque quer se importar... Eu poderia sentar e chorar junto com você, mas apenas não ligo. Escolhi agir, acreditar no que meu coração sente e não no que minha mente cria. Posso te dar colo, oferecer meu ombro, te acalentar, mas não vou repartir da sua angústia. Eu escolhi sentir o que é melhor para mim, não o que vai agradar aos outros.


- E por que é tão difícil fazer isso, por que é tão doloroso colocar um ponto final?


- Você se apega porque quer se apegar e desapega pelo mesmo motivo. É tudo uma questão de escolha. Você pode escolher entre sofrer e remoer algo que, infelizmente, não depende só de você, ou tirar proveito do ensinamento e prosseguir vivendo. A escolha é sua! Dê apenas um passo em direção ao que te faz sentir leve e bem consigo mesma, que Eles se encarregam do resto.


- E quando saberei que estou no caminho certo?


- Quando em vez de sentar e chorar, você caminhar e sorrir.